segunda-feira, 5 de outubro de 2015

MAIS TRANQUILO

Esta noite já dormirei mais tranquilo. Dentro de pouco tempo, terei um governo a governar-me bem, como sempre fez nos últimos anos. Será um governo em que não votei, mas que me vai governar. É assim a vida, nem tudo o que se deseja se pode ter. Amanhã já ninguém dirá que votou no CDS/PSD, quando muito, a engolir a saliva, poderá ouvir-se “…  a coligação, eles fizeram isto, eles fizeram aquilo, tinha de ser…” O certo é que ninguém votou no Paf.

Cinco de Outubro de 2015. República. Antes era feriado. O país enriqueceu por ter mais uns dias de trabalho, sem trabalho. O Senhor presidente da República disse que não iria às tradicionais comemorações. Faz muito bem. Fica a trabalhar. Se não é feriado porque é que o presidente tem que ir a festas, que lhe podem perturbar o silêncio, a reflexão e obrigá-lo a sair do seu condomínio fechado? Haverá outra justificação?

- Há.

E foi um velho amigo que me esclareceu o assunto: provavelmente, o senhor Presidente da República não vai às comemorações porque talvez seja monárquico!


Fiquei de boca aberta. Poderia lá ser?

PS___________
A República portuguesa não corre o risco de extinção por o presidente estar indisponível (João Vaz, jornalista, in CM)

Assim dormirei ainda mais tranquilo.

domingo, 4 de outubro de 2015

A CONCLUSÃO É ESTA


Não é muito habitual transcrever frases de outros autores, mas não resisto a esta, escrita e lida, provavelmente ainda a  quente:


    A conclusão é esta: Portugal é o único país da Europa onde, depois de quatro anos de uma política terrível de austeridade, aqueles que a levaram a cabo conseguem voltar a vencer.  
    opinião de Henrique Monteiro


Que votantes são estes, que medo é que os persegue? Que cultura? 

Há coisas que não entendo. 

sábado, 3 de outubro de 2015

APELO DRAMÁTICO

Última hora: Cavaco faz apelo dramático ao voto nas legislativas de amanhã… (observador   http://vfpt.pt/Uh)
Esta mensagem acabou de cair no meu telemóvel.

Claro que vamos votar, senhor presidente. O seu apelo dramático comoveu-me até às lágrimas. Receio até que, amanhã, o meu boletim de voto seja identificado por alguma lágrima furtiva. Mesmo assim, votarei com um pouco mais de esperança de que o povo português deixe de ser tratado como sobrevivente dos números. Os números nunca serão o fundamento do meu voto. Sou humano, somos humanos e queremos ser tratados com a dignidade que nos é devida. Recuso ser tratado por gente que todos os dias me diz que gastei tanto, que deveria poupar mais, que não há dinheiro (só há para alguns), que vivo acima das minhas possibilidades, que não pedi fatura para poder ganhar um carro de luxo e que, provavelmente, também fugiu aos impostos que…

Senhor presidente, votaremos no amanhã com um pouco mais de esperança de não voltarem cavacos de qualquer espécie – secos, verdes ou molhados - sem cabeças de listas que nos chamaram “peste de cabelo grisalho”, sem convencidos que nos vão corroendo, sem narigudos submarinos, sem salgados que vão para a Comporta brincar aos pobrezinhos, sem aldrabices, nem rendeiros em cada esquina.


Enfim, se amanhã o meu boletim for identificado por alguma lágrima comovida e rebelde, não foi pelo discurso dramático de V.Ex.ª, que “sabe e fisga tudo”, mas pela dor de quem não tem salário para  alimentar a família, pelo olhar triste de quem não compra medicamentos porque lhe tiraram a pensão de sobrevivência, pela angústia daqueles que não enviam os invisuais à escola porque isso dá prejuízo, pela tristeza que tudo isto me deixa porque muitos ... continuam a fazer a mesma cruz no boletim de voto, apesar da cruz que carregam.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DOMINGO VOU VOTAR. GOSTAVA TANTO DE PARTIR PARA OUTRAS TERRAS!

Estou a concentrar-me. Seriamente concentrado. Umas horitas antes da reflexão oficial. Penso, penso… penso e nada. O nariz adunco irrevogável, continua a ser adunco e magro. O menino de oculinhos de menino do coro continua a espreitar mais quatro anos, em cima de outros quatro com que nos anestesiaram, como se não tivessem culpas nenhumas do que aconteceu. Tiraram quase tudo ao povo português e cantando e rindo fazem arruadas para tamborilarem o seu bom trabalho! Não temos nada devemos -lhes tudo! Até a barbie da assembleia da República esticou o cabelo para se observar melhor. Quanto ao presidente, nada se pode dizer: já sabe tudo. Fizeram tudo bem…até criaram mais fome que pode purificar o pecador pobre.

Ai este liberalismo sem regras, onde as pessoas estão ausentes, subjugadas sob os números: eu, tu, nós somos números! Só isso! Neste país, onde apenas o trio de desgrenhados governantes sportinguistas, que pula como macaco fora do galho é que se julga injustiçado e move processos a toda a gente….Algo está errado: toda a gente é que deveria mover processos a quem tramou este povo português. Mas não. Vão voltar ao poder, aos pulos, desgrenhados e cantadores da justiça que lhe fizeram por voltarem a ser eleitos. Assim não há futuro que resista. O medo trama a mudança. Mas é preciso mudar!

A minha arma é o pensamento. A minha arma é o meu julgamento. A minha arma é o meu voto.

CDS, PSD, PS? Não são esses que há dezenas de anos vão vivendo do poder? e que me tiraram o subsídio de natal, de férias, esganaram a saúde, o ensino e a justiça? Que teceram uma rede de interesses de maçons, opus dei e de outros grupos conceituados envoltos em seitas de domínio?


Como gosto de fotografia, há dias fiz um clique e repeti-o três vezes. E não é que as fotografias ficaram quase iguais? Eram fotografias más e sem qualquer interesse. Então fui buscar o tripé, mudei de lente, vi as coisas mais ao pormenor e saiu uma fotografia bem diferente. Com linhas de luz muito interessantes! Estava ali o meu voto. Ele poderia ser uma gota de vento que Agamémnon esperava para partir para Troia. Para outras terras.








Domingo vou votar. Gostava tanto de partir para outras terras!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

COLUNA CENTRAL

Quando iniciei a “Sala das colunas” pensava, ingenuamente, que poderia alimentar várias secções: coluna central, retratos vazios; artes e letras e, finalmente, coluna fotográfica. A pouco e pouco deixei em ruínas “retratos vazios”. Li alguns retratos em que o alvo se plagiava mutuamente e, por isso, não valeria a pena voltar a pegar na EOS e fotografar de novo as ruínas fixadas. Os objetos focados incendiaram-se mutuamente e, por isso, deixei cair a coluna vazia, cheia de maus retratos. Hoje são apenas ruínas construídas com pedras que deslizaram, uma a uma, pelas encostas da vida.

Artes e letras poderia ser um bom espaço, mas a organização e formatação ”blog” não me dava grande engenho para boas apresentações. O trabalho e tempo que despendia não justificava o produto final. Coluna fotográfica, bem, a coluna fotográfica colocou-me muitas dúvidas. Depois de uma série de exposições, a coluna fotográfica também iria cair? – Também.

Agora, permanecerá apenas a coluna central de porta aberta, onde entrará quem quiser entrar, estará quem quiser estar e conversará quem quiser conversar. As outras colunas não serão apagadas. Ficarão como estão, como papel envolvente de um duro, felizmente curto, pedaço de vida. Construíram o seu espaço, deram o seu testemunho, disseram bem e mal. Viveram e tornaram-se ruínas. Hoje é muito melhor deixar a coluna central sem caras plagiadas de bonecas de palha, ansiosas do poder, ainda que para isso tenham que lixar os outros.

Hoje, olhando os dias que percorremos, as coisas não acontecem naturalmente: são forjadas e forçadas a acontecer. Esquecemos que um dia a verdade ausente do que acontece será sempre a primeira camada de terra que pisamos e que nos pode sujar os pés.


Será assim a nova cara interior da sala das colunas, melhor, da resistente coluna central.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

TANTO TEMPO


Tanto tempo. 11 de Novembro de 2013. Tanto tempo. Mas senti sempre a “Sala das colunas”.




Nessa data publiquei o meu último texto “O ministro e os exames”. Disse mal do ministro – grande desilusão. Depois parei e não me perguntem porquê. Parei e pronto. Simplesmente não me apeteceu escrever. Apenas ler, ver teatro, fotografia, exposições de pintura,  escultura e deixar correr os dias a observar o mundo como se fosse um belo rendilhado do mosteiro da Batalha. Belo. Apontado para o infinito, sempre novo e diferente.

Agora volto. E volto com vontade de permanecer. Não sei até quando  isso “vai acontecer”.
Volto porque surgem notícias danadas e risos bravos de cinismos.

Sempre se cruzaram por mim. Porquê agora? – Não sei.

Não me armarei em armeiro e muito menos em cavaleiro de espada pronta a degolar. Sou apenas. Escrevo apenas. Falo do que me apetecer, das coisas espinhosas... e nem terei a certeza de que valerá a pena. 

Fraco desejo é a bajulice de quem se quer armar em salvador da pátria. Nem bajulices, nem salvador da pátria.


Fiquemos por aqui. Deu para começar.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O MINISTRO E OS EXAMES


“Não temos um governo, temos um jardim de jotinhas engravatados, em dia de festa” – dizia-se, há dias, num programa de rádio. Neste jardim, há alguns ministros que depois de engrimpinados no poder, rapidamente conseguiram destruir todas as expetativas que arregimentaram antes de serem ministros.

O meio escolar português viu um resto de esperança no ministro da educação; porém, a sua atuação cedo demonstrou que foi um erro depositar nele qualquer expetativa de um futuro melhor para o ensino público. Chegou ao poder, sentou-se, esqueceu-se do passado e fez-se “soldado fiel”. (É preciso não esquecer que na cadeira do poder, apenas vivem sentados os “soldados fiéis”).

Soldado afeiçoado a banhar-se no poder, o ministro da educação tornou-se áspero vendedor, a retalho, do ensino público. Gentil filosofante, todos os dias nos brinda com nova descoberta de rifas apelativas da qualidade, onde se enrola o fruto do roubo da dignidade dos professores e o desmantelamento das instituições de ensino público.

Às escondidas, passa por algumas escolas enquanto vai assinando resoluções que crescem como cogumelos venenosos, destruidores das escolas que visita.

Um desses fungos superiores, já decididos, dá pelo nome de exames.

Sempre que há um qualquer problema com programas, metas, estratégias, sucesso/insucesso ou pedagogias, apregoa-se que é necessário mais exigência. Vulgar e sentenciador, numa tarde sem sono e alheia da realidade, o ministro encontrou a receita para a qualidade: prescrever mais exames.

Estou em crer que qualquer dia teremos para cada disciplina um exame trimestral ou semestral. Neste processo, os professores - eleitos bodes expiatórios e tidos como causa única do insucesso - não passam de profissionais preparadores de exames. Assim, o “fiel soldado” das fileiras do governo afunila o crivo da entrada na Universidade, “poupa” os cofres do estado e vai abençoando as escolas privadas.

Mestre na confusão da opinião pública, (re)descobriu outro exame: para se ser professor, não basta ser preparador de exames, é preciso estar apto para entrar “com qualidade” na “arte de ensinar”. Que fazer? – Exames. A decisão não tardou e o primeiro tortulho venenoso já está marcado para o dia dezoito de dezembro. Segue-se um segundo. Exames pagos, claro.

Não faz sentido: um professor que fez estágio pedagógico, por vezes com mestrado, com alguns anos de ensino, já foi considerado apto e credenciado para lecionar. Agora, determina-se que dois exames serão o certificado de aptidão e a “carta da qualidade” de professor.

Realizados os exames, conhecidos os resultados, estou a imaginar o ministro a esfregar as mãos de contente e a interpretar a pauta das classificações: tantas reprovações, tantos suficientes e tantos bons. “Com estes resultados, os encarregados de educação poderão estar descansados com a qualidade do ensino em Portugal”.

Por mim, mandava prender, já, os professores universitários, pois o próprio ministério tutelar - que lhes paga - não lhes reconhece qualidade. Se não for este o caso, demita-se o ministro e mande-se tratar este homem que vive obcecado por exames.

Bela prenda de natal… um professor feito ministro que, antes de o ser, foi apenas uma ficção.



domingo, 3 de novembro de 2013

Exposição "SILÊNCIOS" - Imagem e texto


Depois de Tomar e Almeirim, a exposição "Silêncios" - fotografias de Feliciano Pipa  e textos de Eduardo Bento - está patente ao público até ao próximo dia 8 de Novembro na biblioteca municipal de Alpiarça, Dr. Hermínio Paciência.

Os trabalhos  expostos seguirão, depois, para a galeria municipal de  Ourém.




(Foto presente na exposição, PB, captada em LX, em suporte filmico "135" )



terça-feira, 8 de outubro de 2013

PASTEL DE NATA. Cenas de enganos e desenganos

Pastel de nata .
Já houve um ministro deste Portugal empobrecido que avançou com a ideia de explorar o filão económico do pastel de nata. Não resultou lá muito bem, mas valeu a intenção. Coisas deste país solitário: acabou por ser ele o exportado conjuntamente com muitos portugueses que o próprio sugeriu que se “auto - exportassem”, com a diferença de que estes foram à procura de sobrevivência.

Cena 1
Voltemos ao pastel de nata. Há duas ou três semanas, fui ao supermercado “Continente”, fiz umas compras, entrei no corredor da caixa, paguei e, para além do descritivo das compras, entregaram-me mais alguns papéis.

Enquanto descia a escada rolante, meio tombado sobre o carrinho, fui olhando para os papéis da caixa. Interessante: …% desconto em cartão, em toda a carne de bovino, mas, melhor ainda, 100% em cartão, num pastel de nata nas lojas “Bom Bocado”.

- Boa. Carne de bovino, nem por isso, agora um pastel de nata com 100% de desconto… quando cá voltar hei-de ver se aquele bar, ao fundo do corredor, é uma loja “Bom Bocado”.

Cena 2
- É hoje. A loja “Bom Bocado” está ali.

Encostado ao balcão, pedi um café e o tal pastel de nata salvador da economia. Entretanto, apresentei o vale de desconto.

A colaboradora (agora diz-se assim) olhou para mim e ficou a meio caminho entre o dizer e não dizer. Ganhou tempo, limpou um pouco o balcão e acabou por esclarecer:

- Café e pastel de nata são 85 cêntimos, mas se utilizar esse vale… então o preço é de um euro e trinta e cinco cêntimos.
- Desculpe, não percebi lá muito bem, pode repetir?
- Um café e um pastel de nata são, habitualmente, 85 cêntimos, mas utilizando esse vale de desconto custam um euro e trinta e cinco cêntimos, sendo o desconto em cartão de 50 cêntimos.

Engoli em seco o café quente e recoloquei o pastel no pequeno prato.

- Belo negócio, sim senhor, empresto dinheiro ao “Continente”, assumo a obrigação de lhe comprar os produtos com o dinheiro que lhe emprestei e ainda por cima fico com a fama de ter um desconto de 100%. Tretas.

Fechei a boca engasgada com as palavras por dizer, afastei o prato com o pastel de nata, deixei 85 cêntimos em cima do balcão e afastei-me.

- Olhe, o pastel de nata…
- Deixe lá, em vez de emprestar os cinquenta cêntimos, prefiro pagar o pastel de nata ao Continente, como faço, com alguma frequência e com maior respeito, aos sem-abrigo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (5)

O MEU  VOTO


Depois desta conversa toda, tamborilada na sala das colunas, ao longo de quatro posts, parece-me correto falar um pouco sobre o meu sentido de voto e sobre as razões da minha opção. Não basta rir e criticar publicamente o que se ouviu ou leu. É preciso ir um pouco mais além.


Voto num concelho onde já vivo há mais de trinta anos. Assisti ao seu forte desenvolvimento, à construção de infraestruturas, ao embelezamento de espaços e à construção de diversos equipamentos relevantes para a população. Vivo numa cidade agradável. Torres Novas.

No entanto…

Se não estou enganado, conheci apenas três presidentes de câmara, eleitos. Os mandatos foram longos. Ontem, como hoje, estou em desacordo com a eternização do poder que se tem vindo a repartir, sistematicamente, por duas forças políticas. Nestas eleições, desejo mudança.

Neste ténue panorama de programas das equipas candidatas, no ato de decidir, tenho diversas possibilidades de opção.

- Que decisão tomar? Vamos por exclusão de partes.

CDS – Não conheço os candidatos, nem a sua força local, mas a avaliar pelo seu líder nacional e tendo em conta a triste figura que fez, recentemente, enquanto ministro, que nem catavento estaria melhor em dia de tempestade, não faria do CDS meu representante na governação. A eleição é autárquica, mas se a base social de apoio do líder é a mesma… votar numa lista partidária cujas bases apoiam um catavento ansioso de poder… não oferece confiança a ninguém.

PSD – Ora aí está uma equipa que deseja disputar o poder sobretudo com o PS. Liderada por um presidente de junta eterno (não conheci outro nessa freguesia) e onde paira a auréola de um presidente passado, duvido que a sua equipa venha acrescentar alguma coisa de novo ao instituído, nem sei se terá alguma força para lá chegar.

PS – Não queria acreditar quando vi a constituição da equipa. O que é que aconteceu ao PS local para apresentar esta lista? Na possibilidade de vencer teremos: um vice que passa a presidente e um presidente que passa a presidente da Assembleia que, por sua vez, irá substituir o anterior Presidente da Assembleia que passa a vice presidente da Câmara. Entenderam? Não? Mas é assim.

Não queria acreditar, repito, quando vi que o número dois – o possível vice futuro - é o mesmo (convém recordar) que, aquando do imposto autárquico, decidiu a favor da subida do imposto para valores máximos propostos pelo executivo, por recurso ao voto de qualidade. Votou contra a população, já sufocada de impostos, que o elegeu. (Ver saladascolunas.blogspot.com,  posts dos dias18 de Nov. 2012 e 3 de Dez.2012). Passados poucos dias, o mesmo executivo camarário deliberou descer os valores já aprovados pela Assembleia e, sem delongas, o mesmo presidente que usou o voto de qualidade para subir os impostos (IMI) votou dias depois a sua descida. Não gosto de cataventos, nem de figuras decorativas, nem de decisores que não decidem por si.

CDU – Há quantos anos a CDU apresenta o mesmo candidato? Todos falam de mudança no quintal do vizinho, mas quando se toca no nosso quintal as coisas complicam-se e, pior ainda, eternizam-se. Pelo caminho vai-se discorrendo sobre os malefícios da longa permanência no poder. Nada de novo. Nada de novo mesmo.

BLOCO, melhor, Helena Pinto - votarei em Helena Pinto: porque tem experiência política, não tem os costumeiros maus hábitos caracterizadores de quem já exerceu o poder autárquico por longo tempo, demonstra saber, capacidade de ação e disponibilidade para o diálogo. Em diversas situações, tive oportunidade de ouvir Helena Pinto e confesso que a forma como desconstrói cada situação problemática e a capacidade de comunicação suportada culturalmente, me convenceram. Tenho agora a oportunidade de lhe dar o meu voto. No entanto, no caso da sua eleição, que desejo, espero, que seja a própria a dar um sólido contributo para a mudança em que voto. Coragem para mudar. Oxalá!


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (4)

Expressões da campanha

Depois dos cartazes e das imagens que os preenchiam, fixemo-nos, momentaneamente e sem grandes comentários, nas expressões-slogan  da campanha de alguns candidatos:

- Por um conselho onde os idosos sejam felizes – Gostei desta. Por momentos ainda equacionei a possibilidade de procurar por lá uma casita. É longe, no Minho, mas vale sempre a pena viver numa terra com os idosos a jogar cartas e a sorrirem de felicidade.

- A força de todos por um concelho com melhores transportes públicos – Ótimo, se avariar algum autocarro, a força de todos pode ajudar a empurrar.

 - Juntos conseguimos - apregoava um homem e uma mulher, lá para o norte.

 - Juntos estamos a conseguir - confirmava outro. Não sei bem o que estão a conseguir, mas façam força que acabam por conseguir.

- Ontem, ponte para o futuro – Onde é que eu já vi isto?

- Vale a pena, diz-se para os lados de S. Tirso. Não se diz é o que é que vale a pena, nem para quem.

- Fazer o que ainda não foi feito – repete, pouco original, uma senhora lá para os lados de Esposende. O que está feito não é preciso fazer, não será, minha senhora?

- Ganhar o futuro – garantir a proximidade. Não percebo, mas como também não voto no norte do país, não estou preocupado. O que é que isto quer dizer, senhores candidatos?

- Uma cidade mais à frente. Boa, esta é uma ideia muito à frente… não sei de quê, mas é muito à frente.

- Aqui há futuro. Pois há… bom, ou mau?

- Juntos seremos mais, apregoa-se para os lados de Alpiarça. Já ouvi isto não sei onde, mas nunca cheguei a perceber como é que se faziam as contas. Ignorância minha, é claro.

- Com os dois pés em Lisboa, anuncia um candidato. Esta não lembrava ao diabo. Se não ganhar, onde é que o candidato irá deixar os pés? Penso que os lisboetas não precisam de dois pés. Precisam de pensamento crítico e seriedade… não de mais dois pés a calcorrearem os passeios.

- Sempre consigo – lê-se, algures, no centro do país. Aqui só vejo duas possibilidades interpretativas: ou o candidato consegue fazer sempre tudo e isso pode ser muito bom, ou um perigo, ou o candidato quer estar sempre consigo (comigo). E se eu não quiser? Já anda nestas lides há tanto tempo!... talvez ficasse melhor colocar no cartaz um coraçãozinho ternurento, desses que agora se fazem com as mãos, porque é sabido que os eleitores gostam quase sempre de corações e, assim, entenderiam melhor a mensagem, digo eu.

- Persistência na continuidade. Li isto não sei onde. Acho tão infeliz o lema deste (s) candidato (s), pois até parece que estão satisfeitos com o que está feito; resta saber se os eleitores também estão.
(…)
Se o eleitor tivesse presente os lemas e cartazes dos diversos candidatos com que se cruza a caminho da mesa de voto, provavelmente, desistiria e não votaria. A falta de imaginação, o vazio repetitivo e a pobreza da imagem tornam-se inutilidades que não motivam, nem esclarecem ninguém; são apenas ruídos postados nos cruzamentos e rotundas das aldeias e cidades. Mas o cidadão ignora isso tudo e irá exercer o seu direito de voto. Vota com um resto de esperança que ainda encontra do lado de fora do que se diz e escreve nas campanhas. Ainda bem. Há muito mais sol para além das frases vazias e das inestéticas imagens. Vamos julgar, escolher e votar.

Fiquemo-nos por aqui. Foi uma pequena amostra do que se apregoa por este país, onde as cores e os símbolos do CDS e PSD quase que desapareceram dos cartazes… Mal vai o país em que os próprios partidos que governam têm vergonha de si próprios.



terça-feira, 24 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (3)

No post anterior dizia que, na breve viagem por este país, me cruzei com a “festa” dos cartazes dos muitos candidatos ao exercício do poder local: A. Municipal, Câmara, Assembleias e Juntas de freguesia.

Escrevi, na altura, que “do vazio da mensagem e dos risos, aqui se fará breve propaganda”. Governados por jotinhas, poucos levam o país político a sério e os cartazes dos candidatos parecem demonstrar isso mesmo pelo vazio de ideias e ausência de propostas de quem pretende ter poder.

Neste Portugal pequenino, ganhe a, b ou c, continua a ser gente estranha a governar. Porém, a simples mudança de caras pode tornar o ambiente menos pesado e cansativo. Diga-se que já estou farto de ver sempre as mesmas caras, os mesmos falsos sorrisos, a mesma verborreia. Mudem-se, pelo menos, as caras!

Os primeiros indícios de eventual mudança de caras poderiam ser os meios de divulgação… mas “oh! tristeza!”, se são escassas as possíveis mudanças da futura governação, menos ainda são as dissemelhanças dos suportes de campanha.

Falemos dos cartazes, quase todos inestéticos e que, como a maioria dos parcos ingredientes desta campanha, não são para levar a sério:

- Lá bem para o sul, recordo-me, um outdoor deixou-me de boca aberta: um contrapicado apresentava o candidato numa postura inclinada para a frente, com um rosto de esforço, provavelmente a levantar-se do assento e a querer sair porta fora. Mau gosto.

- Um outro apresentava-se com os braços nas ancas, olhar de desafio, a lembrar um forcado a preparar uma pega de caras. Sabe-se quem o candidato quer pegar, mas ainda não se conhecem os rabejadores.

- Um terceiro apresenta o líder à frente, mãos cruzadas sobre o peito, à defesa, com um grupo de seguidores num plano diferente.

A maioria dos cartazes com que me cruzei por este Portugal fora apresentava dois rostos ou, com menos frequência, uma equipa completa. Da equipa toda nem sequer vale a pena falar, pois o elevado número de olhares acaba por inviabilizar a leitura dos painéis. O público-alvo tornou-os marginais e, se olhou para eles foi, provavelmente, para descobrir nele o vizinho ou para esboçar um sorriso sobre a expressão esforçada e atabalhoada de algumas figuras.

Em muitos concelhos, os outdoors mostram duas personagens: o candidato à presidência de Câmara e o candidato à presidência da Assembleia. Alguns ex-presidentes de Câmara aparecem agora como candidatos à presidência das Assembleias Municipais. Não sei quem vai proteger quem, nem quem vai decidir, nem sei qual das caras se transformará em rosto fantasma.

A propósito, li há dias num jornal local uma interessante reflexão sobre este assunto (uma das muitas com a qualidade a que o autor já nos habituou), titulada “Presenças fantasmas”, com assinatura de Jorge Carreira Maia (in, Jornal Torrejano, Nº 888-II série, de 20 de Set. de 2013). Referindo-se a dois candidatos à A.M. e que já foram presidentes de Câmara, termina deste modo: …não poderão exercer o poder municipal, mesmo que o seu partido vença, mas a sua presença fantasmática será mais real do que a presença de qualquer vereador eleito. Terrível é ir viver para uma casa assombrada.

Está tudo dito. A presença do antecessor com poderes de Presidente da Assembleia pode ser apoio, ameaça ou defesa, mas será sempre uma sombra…

...e o que este país menos precisa é de ágoras assombradas onde a entrada só é permitida a alguns espíritos e a auréola de outros teima em pairar, tornando os centros de decisão num poiso de amigos de voo noturno.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (2)

Início ou fim de festa?

Agosto é mês de férias, tempo de sair das rotinas diárias e de deixar o despertador adormecido.

Como qualquer comum cidadão – com a ressalva de já não ter horários rígidos para cumprir – segui estrada fora, alheio a qualquer rota bem definida.

Cruzo algumas aldeias e cidades enleadas de verde e ruas escondidas coloridas de papel, alecrim e murta; outras já deixavam perceber que a festa estava a esvair-se no tempo: pétalas de papel a adejar ao sabor do vento, arcos depenados de verdura, fitas pelo chão. Sinais de fim de festa.

Mas, por este país fora, encontrei outra festa:

gigantones politiqueiros emoldurados, de triste figura, sorriso forçado, bajulador e, pretensamente, cativante de simpatias alheias. Faziam o frete de estarem ali a imitar risos por entre rugas mal disfarçadas. Enfim, ossos do ofício de dinossáurios da política de careta postada em cada esquina.

Vi um pouco de tudo: cartazes a cores, a preto e branco, pequenos, grandes, solitários ou em grupo. Alguns, mais simples, mostram a cara dos candidatos e uma ou outra frase vulgar, outros, tanta é a gente fotografada que se confundem com uma equipa de futebol à procura do campeonato que teima em fugir-lhe. Há ainda os pares de presidentes, ridentes e calculistas, protetores vagos, fantasmas e anjos da guarda de exercícios passados.



Ao longo da minha viagem li tantas frases de propaganda que não resisti a tomar nota de algumas delas. Do vazio da mensagem e dos risos, aqui se fará breve propaganda, sem nunca esquecer de que o país está em crise, indigente, mas em campanha eleitoral...

…levada a cabo pela vera-efígie da gente fantasma que o deixou de rastos, de mão estendida e a que ninguém tem coragem de pedir contas. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (1)

Hoje dei uma volta pelo mercado e não me ofereceram um eletrodoméstico, nem uma bola de Berlim, nem pão, mas acenaram-me com muito barulho, papéis coloridos com as mesmas caras de sempre, bonés, uma esferográfica, falsos sorrisos e manhosas simpatias.

Não ouvi uma palavra sobre o futuro deste país. O que me diziam para comprar vinha sem luz e estava vazio. 

Não me incomodei por ficarem ofendidos por não aceitar.

domingo, 11 de agosto de 2013

LOUVOR

 Gafes de um louvor

Com a moral da estória desvendada, pensei que a narrativa, como agora se diz, tinha chegado ao fim. Enganei-me. E enganei-me a sério. O plágio continua a ser publicado (in, O Almonda, ano XCIV – Nº 4043, 9 de Agosto, 2013, pg.5) mas agora é o pessoal docente e não docente a louvar. Emendou-se o erro e deixou-se o plágio igual.

Estas coisas metem-me muita confusão (será da idade?) e não encontro nenhum entendido nesta matéria que me esclareça e, na volta, explique também aos promotores de louvores o protocolo adequado.

 - É assim tão importante e urgente dar ou receber um louvor que se cometam tantas gafes juntas? (Texto plagiado de um louvor a um professor de outra escola, sem referência à reunião/plenário de docentes e não docentes, sem alusão ao registo em ata, sem data, sem assinatura e com uma das versões publicada com erros de português …).

- Então, agora já não se respeitam as hierarquias e são os docentes e não docentes a louvar a diretora? - Não deveria ser ao contrário?

- Quem pode louvar ou propor louvores não será a entidade superior, neste caso, o C. Geral? Ou isto tudo foi (é) uma brincadeira de mau gosto para consumo curricular?

- A propósito, para o currículo vão as duas versões ou uma é emenda/ aditamento à outra?

Não vá eu cair na tentação de louvar algum vizinho e cometer os mesmos erros, por favor, haja alguém que me informe da forma correta de o fazer, sem qualquer plágio, e prometo que terá aqui um elevado, profundo e grandioso louvor.

Enfim, como alguém me dizia, há dias: louvor… louvado seja Deus!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

LOUVOR

“NÃO COPIES. SÊ ORIGINAL. O “COPY/ PASTE” NÃO COMPENSA”.

Depois de publicar o texto titulado “louvor (es) – ainda dizem que não há coincidências”, voltei a ler o louvor divulgado no Jornal Torrejano, na sua edição nº 882 – II série – Ano 19 de 26 de julho de 2013.

A primeira leitura não me tinha enganado: o texto publicado no jornal é o mesmo plágio não assinado, com a agravante do “copy/paste” estar mal feito.

Vale a pena ler, de novo:



Para além do que já referi no “post” anterior, pouco há de novo e o que há é de somenos: “Os docentes e não docentes da escola Secundária de…louva, em reconhecimento do exercício…”

Pois é… quem fez o “copy/paste” esqueceu-se de alterar o verbo. Coisas que acontecem aos melhores e mais competentes, mesmo nas estórias irreais.


É uma pequena estória, mas como “toda a estória que se preze” deve ter uma lição moral, aqui vai: “NÃO COPIES. SÊ ORIGINAL. O “COPY/ PASTE” NÃO COMPENSA”.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

LOUVOR(ES)

                     
                      Ainda dizem que não há coincidências

Circulam pela NET muitos louvores. Por dá cá aquela palha, há sempre alguém a chegar-se à frente, disposto a louvaminhar e a propor louvores pelas mais diversas razões que não vêm ao caso referir.

Numa das viagens pela Net, encontrei os mais variados louvores, uns publicados no DR e, ou, nas páginas das escolas, outros andam, simplesmente, à deriva nos sítios sociais. Dois deles chamaram-me mais a atenção. Estão separados por um ano e aconteceram em escolas diferentes e razoavelmente distantes uma da outra. O primeiro tem data de 11 de julho de 2012 e é um louvor a um professor diretor de agrupamento. O segundo é de julho/agosto de 2013 e é um louvor, ou proposta de louvor, a uma diretora de escola.

Vale a pena ler:

1 - Louvor a um professor diretor





2 - Louvor a uma professora diretora

A diretora visada no segundo texto perdeu três palavras elogiosas relativamente ao seu colega louvado um ano antes: elevada; profundo e grandioso, mas valorizou a escola pública em vez do ensino e educação.

 Coisas de pormenor, mas que foi uma pena, foi.

Comentar para quê?







sexta-feira, 26 de julho de 2013

ESTÓRIAS DE ENCANTAR

5 - Nas finanças. A invenção de respostas

Havia, por ali, muita gente de rosto fechado. De quando em quando, sentia-se um suspiro mais fundo ou um desabafo misturado com meia dúzia de palavras nervosas. Lamentações.

Com o número de ordem na mão, olhávamos o monitor, o número e o balcão de atendimento.

Havia frases desconexas por detrás do balcão e, fora dele, balbuciavam-se nomes amargos sobre o país em que se vive.

- Pronto, agora os computadores voltaram a ir abaixo…não sabemos quando é que temos sistema e… já não é a primeira vez que isto acontece. É preciso paciência…muita paciência…

- Paciência, paciência… pagamos tudo com demasiada paciência!

Alguns, hesitantes, acabaram por sair; outros, mais teimosos, olhavam os funcionários e esperavam respostas.

 - Ainda bem que as máquinas “cracharam” (que palavrão feio… nem português chega a ser!), vou-me embora e tentar resolver o assunto de outra forma. As perguntas (que deveriam ser feitas) não justificam o cansaço da espera.

Inventem-se as respostas e o diálogo possível, nesta realidade que ultrapassa a ficção.

- Sendo um invólucro registado “a brincar”, se acontecer um qualquer extravio, a responsabilidade das consequências é do contribuinte?

- Claro que é.

- Qualquer instituição, empresa, entidade de crédito … avisa, antecipadamente, o indivíduo que tem responsabilidades financeiras com elas. Por que é que as finanças não o fazem, se há alguns anos o faziam?

- O contribuinte tem obrigação de conhecer os seus deveres fiscais.

- Mas…se informam do tempo de cobrança do IMI, IRS, etc..etc…por que motivo o não fazem com o imposto de circulação?

- Porque, assim, há mais juros e coimas e entra mais dinheiro nos cofres do estado.

- Se o imposto de 2008 e 2010 foram pagos, sempre na mesma repartição de finanças, por que é que em 2010 não se informou o contribuinte de que o ano de 2009 estava por liquidar?

- Porque…

- Se, por suposição, o imposto já foi pago, mas não há documento comprovativo (por inutilização, perda…) a responsabilidade é sempre do contribuinte, as finanças nunca se enganam?

- O contribuinte é sempre o condenado… a pagar.  
                                               
As noites com pouco luar deram lugar aos dias de roubo continuado dos contribuintes. Todas as nesgas possíveis para cobrar impostos, coimas…juros servem para depauperar ainda mais o cidadão.

O estado português tornou-se uma enorme repartição de finanças a quem todos devem. Perdeu-se a dignidade e ficou um governo de “boys” em permanente guerra com o povo que diz governar.





É noite, mas ainda há esperança de que um dia seja o cidadão a fazer as cobranças a quem o vem depenando.

Fiquemo-nos por aqui…porque…

afinal…estas estórias não são de encantar. São apenas de tristeza e desencanto.