quinta-feira, 19 de julho de 2012

Correm ventos duros nas escolas portuguesas


Nas escolas portuguesas, correm ventos duros. Cada vez mais agressivos. Pisam a segurança e o tempo passado, longo, como se nunca tivesse acontecido.

(N) As escolas portuguesas trituram o passado, como se não tivesse existido e ao presente negam toda a esperança, matando o futuro. Ser pessoa já não conta. A confiança e a serenidade foram desbaratadas e substituídas pela ansiedade e pelo medo. Os professores transformaram-se em números que produzem mais números e papéis. Construtores da sociedade, desceram à categoria de objetos descartáveis em qualquer momento.

Nas escolas portuguesas, expulsam-se as pessoas que “viveram a escola” dez, quinze, vinte, trinta anos. Passaram, tristemente, a valer tanto como o tempo de trabalho do amanhã que não existe: “zero”.

Nas escolas portuguesas, há pessoas (já nem como pessoas são consideradas!). Calaram-se os professores e os professores não se podem deixar calar. Estão todos no mesmo barco. Estamos no mesmo barco. E todos nos calámos quando era preciso gritar. Agora é preciso recuperar a dignidade estilhaçada.

Para os professores portugueses, um abraço de solidariedade. Outro abraço – grande – para os professores da minha longínqua escola, onde o vento duro teima continuar a soprar, cada vez mais duro.