segunda-feira, 17 de junho de 2013

O professor presidente e a GREVE DOS PROFESSORES

Do alto da sua cátedra de magistrado da nação, disse: - os estudantes não podem ser meios para atingir os fins.

Depois, respirou um pouco mais fundo e acrescentou: - é preciso ter atenção àqueles que são atingidos.

(E os professores não estão a ser repetidamente atingidos na sua dignidade?)

Disse, está dito.

Sobre a defesa do ensino público, sobre as causas do desencadear da greve às avaliações, aos exames do dia dezassete, nem uma palavra…

Estou enganado. Pensando melhor, talvez a resposta tenha vindo no comboio de Elvas: - Tal como dizia o meu antecessor, o presidente não governa nem é responsável pela política do governo.

(O que é que o presidente faz?)

De mãos lavadas, a voz veio do alto do palanque, ouviu-se junto do aqueduto da Amoreira e ziguezagueou pelo forte da Senhora da Graça, rosto do medo e joia triste da arquitetura militar.

Não entendo: então os professores não podem recorrer à greve só porque alguém é afetado? Todas as greves são sustentadas por determinados objetivos e acabam sempre por penalizar, com maior ou menor dureza, o dia-a-dia de alguém. De outro modo não faria sentido acionar qualquer greve. Fazer greve durante o tempo de aulas…é uma festa para os alunos e para o ministério das finanças. A greve dos professores é justificada e acontece no tempo certo; o ministro  da educação – vendedor de incoerências e de desilusões – deixou correr o tempo e agora, à deriva, procura uma tábua de salvação.

As gentes deste reino não mostraram tantos receios com a greve dos estivadores, da CP, dos transportes, das transportadoras, mas parecem estar amedrontados com a greve dos professores…porque sabem que os motivos são razoáveis e suficientes para assim procederem. O que está em causa é a defesa do ensino público… e é isso que os governantes não dizem.

Repetidamente desvalorizados, desrespeitados, humilhados, embrulhados em pilhas de papéis e de leis que flutuam ao sabor da boa ou má disposição de quem deveria governar, desiludidos e com um pé no desemprego, os professores estão cansados e apenas pedem respeito, dignidade e novo rumo para o ensino em Portugal.

Mas,

no dia de Camões, junto do aqueduto das Amoreiras, bem próximo do medo das ruinas do forte da Senhora da Graça, falou-se da agricultura que o professor presidente ajudou a destruir.

(Afinal, para que serve um presidente?)