quarta-feira, 3 de julho de 2013

ESTÓRIAS DE ENCANTAR


1 - Invólucro Mensagem


Como habitualmente abri a caixa de correio (do correio, correio, não o eletrónico, entenda-se) e no meio da publicidade sem interesse, das cartas da eletricidade, da água e de outras para pagar… encontrei um “invólucro”: mensagem da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). A coisa pareceu-me séria.

Um pouco a medo e para evitar contaminação, isolei o invólucro do resto das cartas, mas… de tão leve que vinha que o deixei cair. Uma rabanada de vento aproveitou o gesto e vai disto: de ziguezague em ziguezague, atirou o “invólucro” contra os arbustos. Ainda estrebuchou um pouco, abanicou-se e por ali ficou. Desconfiado, fixei o “invólucro” em fuga e, pé ante pé, aproximei-me sem fazer barulho, não fosse a cena repetir-se. Estava ali uma comunicação da autoridade! A AT vinha facilitar-me a vida e é para isso que as instituições servem: não obrigarem o cidadão a correr muito porque, se o fazem, não há “invólucro”, nem cidadão que se preze, que não fuja.

Curvei-me a contragosto perante o papel da autoridade tributária, segurei-o bem, não fosse a coisa fugir de novo. Sem nenhum salamaleque, rasguei-o um pouco e abri.

Respirei fundo.

- Ah! Então é isto…estava em dívida...sempre me considerei cumpridor…mas desta vez, não! Com que então em dívida com a autoridade tributária e aduaneira, eficaz protetora deste país!…pior ainda porque a dívida é de 2009. Antiga, mas nem por isso escapou. Nesta altura ainda devia o IUC do meu velho UMM que, tranquilo, continua à espera de uma bateria, à sombra do arbusto que segurou o “invólucro” que me envergonhava. Que coisa! Fiquei chateado: o que fiz foi uma ofensa ao velho amigo jipe: não anda, mas merece que se pague o imposto de circulação! É um direito seu, já adquirido!

Dobrei o envelope em meia dúzia de asneiras, passei junto do jipe, passei-lhe a mão pela pintura desbotada, pedi-lhe desculpa e garanti-lhe que iria resolver a calotice.
- Bem, não fui assim tão mau…  2007,  2008, 2010, 2011 estavam em dia e "gozavam o prato" com o ano fugitivo, marginal. No melhor pano caiu a nódoa: 2009 estava ali, naquele papel, a apontar-me o dedo. A Autoridade decidiu envergonhar-me perante o jipe e “involucrar-me” num invólucro mensagem - correio registado, simples, nacional. (continua)

(2 - Coisas da minha ignorância:correio registado. Simples. Nacional