sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ELEIÇÕES (2)

Início ou fim de festa?

Agosto é mês de férias, tempo de sair das rotinas diárias e de deixar o despertador adormecido.

Como qualquer comum cidadão – com a ressalva de já não ter horários rígidos para cumprir – segui estrada fora, alheio a qualquer rota bem definida.

Cruzo algumas aldeias e cidades enleadas de verde e ruas escondidas coloridas de papel, alecrim e murta; outras já deixavam perceber que a festa estava a esvair-se no tempo: pétalas de papel a adejar ao sabor do vento, arcos depenados de verdura, fitas pelo chão. Sinais de fim de festa.

Mas, por este país fora, encontrei outra festa:

gigantones politiqueiros emoldurados, de triste figura, sorriso forçado, bajulador e, pretensamente, cativante de simpatias alheias. Faziam o frete de estarem ali a imitar risos por entre rugas mal disfarçadas. Enfim, ossos do ofício de dinossáurios da política de careta postada em cada esquina.

Vi um pouco de tudo: cartazes a cores, a preto e branco, pequenos, grandes, solitários ou em grupo. Alguns, mais simples, mostram a cara dos candidatos e uma ou outra frase vulgar, outros, tanta é a gente fotografada que se confundem com uma equipa de futebol à procura do campeonato que teima em fugir-lhe. Há ainda os pares de presidentes, ridentes e calculistas, protetores vagos, fantasmas e anjos da guarda de exercícios passados.



Ao longo da minha viagem li tantas frases de propaganda que não resisti a tomar nota de algumas delas. Do vazio da mensagem e dos risos, aqui se fará breve propaganda, sem nunca esquecer de que o país está em crise, indigente, mas em campanha eleitoral...

…levada a cabo pela vera-efígie da gente fantasma que o deixou de rastos, de mão estendida e a que ninguém tem coragem de pedir contas.